VITIMISMO NO CORPO DE CRISTO
A geração actual precisa de voltar à maturidade espiritual. Precisa de compreender que nem toda correcção é perseguição, nem toda exortação é ataque, nem toda oposição é injustiça. Algumas coisas são simplesmente parte do processo de crescimento.
Vivemos numa geração cheia de “não me toque”, como bem dizia o meu honrado Pastor Casimiro Mate. Estamos cheios de crentes “pipoca”: quando a chapa esquenta, saem da panela.
É assim que inicio esta reflexão. Não sou muito de abordar assuntos desta natureza e muito menos de me envolver em situações que caminham para extremos.
Vivemos numa geração de filtros e aparências, uma geração que faz de tudo pela visibilidade e pelo reconhecimento. Uma geração que, muitas vezes, idolatra a si mesma e acredita que tudo é permitido em nome do próprio ego. Escrevo estas palavras com o coração entristecido ao perceber o quanto nos temos reduzido por causa dos likes, da atenção e da aprovação humana. Fazemos de tudo para que as pessoas sintam pena de nós e, aparentemente, confundimos compaixão com validação.
O vitimismo tornou-se uma linguagem comum. Já não basta enfrentar uma luta; é preciso expô-la. Já não basta sentir dor; é preciso transformá-la em palco. Já não basta passar por um processo; é necessário que todos reconheçam o sofrimento para que ele pareça legítimo. Mas o Evangelho nunca nos chamou para sermos vítimas permanentes. Chamou-nos para sermos vencedores em Cristo.
Isso não significa ignorar a dor, fingir que tudo está bem ou esconder as lágrimas. Significa compreender que a nossa identidade não pode estar fundamentada naquilo que sofremos, mas naquilo que Cristo fez por nós.
O problema do vitimismo é que ele transfere a responsabilidade da mudança para os outros. O vitimista espera que o mundo se ajuste à sua dor, enquanto o discípulo de Cristo permite que Deus transforme o seu coração no meio da dor.
Há uma diferença entre pedir ajuda e fazer da fraqueza uma identidade. Há uma diferença entre partilhar um testemunho e viver permanentemente da narrativa do sofrimento. Há uma diferença entre carregar uma cruz e exibir feridas para obter atenção.
O Reino de Deus é composto por homens e mulheres que choram, mas continuam a caminhar. Que caem, mas se levantam. Que são perseguidos, mas não abandonam a fé. Que enfrentam rejeições, mas não permitem que a rejeição defina quem são.
A geração actual precisa de voltar à maturidade espiritual. Precisa de compreender que nem toda correcção é perseguição, nem toda exortação é ataque, nem toda oposição é injustiça. Algumas coisas são simplesmente parte do processo de crescimento.
Enquanto estivermos mais preocupados em sermos compreendidos pelos homens do que transformados por Deus, continuaremos a alimentar uma cultura de vitimismo. E o vitimismo nunca produzirá discípulos maduros; produzirá apenas pessoas dependentes da aprovação alheia.
O Corpo de Cristo não precisa de mais vítimas. Precisa de homens e mulheres que, mesmo feridos, continuem de pé. Que, mesmo em lágrimas, mantenham os olhos na cruz. Que, mesmo em meio às adversidades, entendam que a graça de Deus continua a ser suficiente.
Porque o Evangelho não nos ensina a viver em função das nossas feridas. Ensina-nos a viver em função da nossa redenção.
Por Mariamo Gerrad
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